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domingo, junho 08, 2014

I let you burn


28.05.2014

Chegou ao fim a minha ilusão. Um pouco sobre pressão, cedi ao mundo ao meu redor e cedi a mim mesma. Peguei nas tuas fotografias, que outrora com tanta dedicação as reproduzi e guardei comigo como se as guardasse em mim, respirei fundo e acendi a chama, a chama uma vez ardente em mim ardia agora sobre as tuas fotografias. Vi-te desaparecer.
Em segundos o teu rosto transformou-se em cinzas, frágeis cinzas que agora nada podiam fazer contra mim e que tão facilmente as podia fazer desaparecer somente com um sopro. Foste o meu último sofrimento, quer nas sombras ou não, eras o meu motivo para escrever e deixar transparecer tudo o que sentia, através da escrita eu transcrevia o sofrimento em que me encontrava e foi esta mesma escrita que tantas vezes me libertava, libertava toda a dor que me fazias sentir.
Repito: A dor é a nossa melhor inspiração.
E mesmo sem saberes, foste a minha inspiração em vários aspectos, por inúmeros motivos.
Sinto-te a ir embora. Já quase não te guardo em mim. Não guardo mais nada de ti, excepto um passado, trancado, à prova de mim mesma.

quinta-feira, abril 24, 2014

Breathe in, breathe out

www.weheartit.com
Sinto-lhe o gosto amargo na garganta, o choro quer sair mas eu impeço-o.
Não sei bem o que sinto, na verdade já faz um tempo que não sei até como me sinto.
Deambulo por aí, inclino para acolá e hoje inclinei para aqui. Subi o sofá, aquele sofá que tão bem localizado ali está, pus um pé, pus o outro e respirei fundo, lancei o braço e rodei o puxador da janela, num ápice ela se abriu, como se soubesse que hoje, hoje eu precisava que ela colabora-se.
Senti aquela brisa reconfortante a abraçar-me, os pulmões encheram-se de ar puro da noite fresca que se fazia sentir em finais de Abril, encostei-me ao parapeito e pude sentir o meu coração bater.
Batia forte. Cada palpitação era como uma tentativa de se soltar de mim. Fugir-me do peito. Tinha-te no pensamento, teria ele intenções de partir para te encontrar? Mesmo sabendo que no segundo em que deixa-se o meu corpo para encontrar o teu, não seria capaz de reencontrar nenhum dos dois.
Torno-me incapaz de o impedir. Torno-me incapaz de o acalmar. Gosto de drama, se é para sofrer...que seja a sério.

As ruas têm impregnado nelas o cheiro da despedida. Carrego em mim o peso dela, um certo receio, talvez até medo, mas sinto-me capaz. Sempre fui capaz de virar as costas.
Sei que eventualmente vai acontecer, é de facto inevitável e parte de mim quer que aconteça, mas a outra metade de mim sabe que o agora é o que me motiva a escrever. Vamos sempre encontrar inspiração no sofrimento, talvez seja nele que encontremos o melhor de nós, o melhor no pior. O caos.


Inspiro. Expiro. Palpitações de teu nome.

terça-feira, abril 01, 2014

Reborn: chapter 22


Hoje início o capítulo número 22 da minha vida.
Confesso que já lá vai o tempo em que estes capítulos eram bem-vindos e vividos intensamente, hoje já tanto me faz. Dou por mim a deambular pelos cantos da casa, a casa que em breve não me pertence mais e a falta que vou sentir daquela janela que por tantas noites foi a minha companhia durante os prolongados minutos em que ficava estática a fotografar a lua.
Ainda não sorri hoje. É claro que já esbocei um sorriso com os lábios, quanto mais não seja para manter as aparências no dia do meu aniversário, mas ainda não sorri com a alma. Não veio de dentro. Estou vazia.
Mas não vou deixar passar o dia em branco...afinal de contas hoje tomei uma decisão, por mim, para mim. Nove meses depois estou a encerrar o sub-capítulo: - R.
Sete meses depois, iniciei, embora a medo, a primeira abordagem, depois a segunda, conheci-te corpo a corpo e hoje encerro este meu leque de tentativas. Não vai existir uma terceira abordagem. Confesso que talvez não te tenha abordado da melhor maneira, muitas vezes por ter joelhos e pulsos a tremer constantemente ao ponto de não ser capaz de se quer conseguir pensar ou articular palavras, outras por já se terem passado sete meses e de alguma forma, te querer agradar, tentar agradar tanto que acabei por descuidadamente deitar tudo a perder. Mas eu percebo, eu percebo-te.
Espero é que um dia, não tenhas necessidade de me perceber a mim.